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O prefeito Marcelo Crivella mentiu!

É com pesar que eu devo esclarecer aos eleitores do atual prefeito do Rio de Janeiro que Marcelo Crivella mentiu. E continua mentindo.

Político no horário comercial e paladino da moral e bons costumes durante as horas vagas; essa é a verdadeira faceta do maior workaholic que o eleitorado nacional já elegeu.

Workaholic, sim, pois não contente em enveredar por essas duas profissões, a de prefeito e herói sem capa, o bispo ainda é bispo.

Esse mise-en-scène é comum no mundo dos heróis. Eles fingem uma apatia ou indiferença como forma de afastar qualquer suspeita sobre a sua vida dupla. Pouco original nessa altura do campeonato, mas bastante engenhoso e eficaz.

Vejam o Super-Homem! Clark Kent – não confundir com “crente”, por favor – é um sujeitinho tímido, desengonçado, usuário de óculos e incapaz de matar uma barata voadora para impressionar Lois Lane, seu par romântico.

No entanto, ele é uma das criaturas mais poderosas do universo.

E praticante da moral e bons costumes, uma vez que nunca usou da sua visão de raio-x para bisbilhotar o banheiro feminino. Nem mesmo na sua fase adolescente, em Pequenópolis.

E o que dizer de Bruce Wayne! O homem por trás do Batman finge ser um playboy fútil, indiferente aos caos que reina na cidade de Gotham City – Cidade de Gotham, em tradução livre – só para despistar as autoridades.

Que espécie de “Xeroque Holmes” poderia afirmar, entre uma cachimbada e outra, que aquele bilionário, mais uma vítima da insônia, passa as noites perseguindo bandidos vestido de morcego?

Somente o seu terapeuta tem conhecimento dessa preferência por collant, fetiche por morcegos e tara por foras da lei, de preferência rústicos e pouco convencionais.

Crivella usa do mesmo modus operandi. Quem diria que esse prefeito, apático, burocrático, atrasado, retrógrado, preconceituoso, subserviente, incompetente, com cara de bicho doente na verdade é um incansável justiceiro não-remunerado?

Paradoxalmente ele adotou “Crivella de Sete Dias” como alcunha heroica a estampar as revistas que vão carregar as suas aventuras. Ou melhor, as dos fiscais da prefeitura instruídos a recolher qualquer material que o seu coraçãozinho julgar impróprio.

O Crivella de Sete Dias não vai a campo com medo de derreter.

Eduardo Bolsonaro

Dudu, o embaixador chapa quente